As Capitais, sua influência nas eleições estaduais e o impacto nas eleições para Presidência da República

Em sequência à série sobre o pleito eleitoral desse ano, o Radar Governamental apresenta agora a 4ª Edição do Especial Eleições 2018.

Nesta edição, abordamos as peculiaridades da formatação de forças do Poder Executivo nas 26 capitais brasileiras e seus respectivos Estados, incluindo a relação destes com as prováveis candidaturas para a Presidência da República.

Dos 26 nomes que comandam as capitais brasileiras, 4 assumiram a titularidade do mandato em abril em decorrência da renúncia dos agora ex-Prefeitos, que deverão concorrer ao Governo de seus Estados nas eleições.

Dos 27 Governadores, 6 renunciaram ao cargo para concorrer a outras vagas, sendo um provável candidato à Presidência da República e os outros 5 ao Senado Federal. O cenário atual, portanto, conta com 23 Governadores que, terminando o seu primeiro mandato ou tendo assumido devido à renúncia do titular, deverão tentar a reeleição e 4 Governadores em segundo mandato que não deverão aparecer nas urnas deste ano.

A dinâmica entre o governo municipal das capitais brasileiras e os respectivos governos de cada Estado porta-se não apenas como um indicativo para o desenvolvimento de projetos em conjunto entre as esferas e, portanto, indicador do ambiente político-regulatório favorável para o desenvolvimento de novos investimentos, mas, em ano de eleições gerais, demonstra a rede de alianças que dará sustentação as candidaturas, neste momento na esfera estadual quanto federal.

Na imagem abaixo, identificamos a coligação ou não do governo municipal das capitais com os seus governos estaduais. Dez dos comandos municipais das capitais apontam aliança com o Governo Estadual, os outros 16 se comportam como oposição.

Indicador de alianças entre o governo das capitais e o governo dos respectivos estados

Na análise dos estados, identificamos a situação de alianças de sustentação aos prováveis candidatos ao governo federal. Tal abordagem, em um cenário onde as pesquisas eleitorais têm se mostrado bastante incertas, apoia na previsão de quem estará no próximo governo federal.

Nos 10 estados indicados na imagem acima em verde, onde há aliança entre o governo da capital e o governo do Estados, a candidatura do PDT à Presidência da República, encabeçada por Ciro Gomes, é que mais poderá ser beneficiada com as coligações, podendo contar com 5 Governadores e os respectivos Prefeitos das capitais em seu palanque.

Logo após, aparece o PSDB de Geraldo Alckmin com prováveis 3 Governadores e respectivos Prefeitos em sua campanha e a possibilidade do embarque de outros dois, Prefeito e Governador, em suas articulações.

Partidos com candidaturas ainda não tão consolidadas, como o PT, que deverá levar para o judiciário a possibilidade da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, o PCdoB, que já estaria ensaiando abrir mão da candidatura de Manuela D’Ávila para um chapa conjunta com outros partidos de esquerda, poderão também ser beneficiados nos cenários destas outras alianças entre capital e Estado, caso tenham as candidaturas confirmadas. Por outro lado, nesse cenário, a candidatura de Ciro Gomes tenderia a perder apoios.

Já o MDB, que ensaia sua primeira campanha autônoma para a presidência em anos, com a possível candidatura de Henrique Meirelles para a disputa, teria o apoio consolidado em uma destas 10 mencionadas alianças capital x estado.

Nos demais 16 estados, mais Distrito Federal, indicados na imagem acima em azul, onde não há aliança entre o governo da capital e o governo do Estados, as candidaturas do PDT e do MDB aparecem empatadas com o possível apoio de 5 Governadores cada um.

O nome do PT poderá ter o apoio direto de três Governadores e, caso a sigla opte por uma candidatura conjunta com o PDT, como já foi ventilado no cenário político nacional, o nome de Ciro Gomes poderá ganhar ainda mais corpo na disputa.

Nesse segundo contexto de alianças, a candidatura de Alckmin pelo PSDB teria o apoio direto de mais um outro Estado.

Ainda com discussões esparsas quanto a possíveis alianças, aparecem o nome de três Governadores que, nas próximas semanas, deverão começar a formatar de forma mais incisiva suas coligações.

 

Estatísticas

Considerando o cenário atual e as possíveis alianças a serem formatadas no escopo dos Estados para com os candidatos à Presidência da República, temos atualmente o seguinte:

Indicador de possível apoio aos candidatos à presidência pelos atuais Governadores

PDT, de Ciro Gomes, com o apoio de 10 Governadores, dentre estes 5 que também contam com o apoio do governo da Capital do Estado.

MDB, de possível candidatura de Henrique Meirelles, com 6 Estados, sendo um que também conta com o apoio do governo municipal da Capital.

PSDB, de Geraldo Alckmin, com possíveis 5 Estados, todos eles contando com o apoio do governo municipal.

Por fim, o PT indica contar com 3 estados, sendo outros 3 Estados ainda sem aliança melhor formatada.

Apesar do segundo lugar do MDB com relação as alianças nos Estados, o partido deve ganhar grande projeção nos municípios no cenário nacional, uma vez que conta com mais de 1000 Prefeituras sob o seu comando pelo país. Assim, uma aliança do PSDB com o MDB, pode indicar uma força relevante, considerando o contexto de alianças estaduais do PSDB e municipais do MDB, fazendo frente importante as demais candidaturas.

Outro destaque fica para a ausência de alianças de candidatos como Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (REDE) nos cenários municipais e estaduais mas onde, apesar da baixa expectativa com possíveis alianças, os nomes despontam em pesquisas de intenção de voto. Neste cenário, a eleição de um Presidente da República que teria menos força junto ao contexto de alianças políticas pelo país, indica um protagonismo maior do Poder Legislativo. Vale mencionar também que com eleições mais curtas e com novas regras eleitorais em vigência, estes nomes já conhecidos dos eleitores ganham força no contexto eleitoral.

O que você irá encontrar nesse material:

– Como as relações governamentais e o contexto de forças entre estados e municípios influencia as eleições federais

– Expectativas para as coligações entre os Governadores e os pré-candidatos à Presidência da República