O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, será o candidato do PSD à presidência em 2026. A escolha em torno do seu nome não foi automática: Caiado travou uma disputa com Ratinho Júnior e Eduardo Leite, governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul, respectivamente, e foi escolhido por possuir a possibilidade de roubar votos de Flávio Bolsonaro, o principal candidato da direita no pleito. O apoio ao goiano, entretanto, não é unânime dentro do PSD. Diretórios como os do Amazonas e da Bahia já declararam seu apoio a Lula, e outros setores do partido demonstram sua preferência pelo filho de Jair Bolsonaro.

Com essas situações, é o momento de analisar qual será o papel de Ronaldo Caiado na disputa presidencial. Em que pese tenha criticado a falta de experiência de Flávio Bolsonaro, o goiano prometeu anistia ampla, geral e irrestrita aos envolvidos nos processos por crimes antidemocráticos no STF, agradando a direita. Fez, ainda, a esperada defesa do agronegócio, pauta que o fez conhecido na década de 1980 e alçou-o à política partidária. Vendeu-se, portanto, como uma espécie de “bolsonarista sem Bolsonaro”, o que pode atrair direitistas que apreciam algumas pautas do ex-presidente, mas não votariam em um Bolsonaro, pelo menos não no primeiro turno.

Quanto às pretensões eleitorais, Caiado não tem chances de ser eleito presidente. Deve fazer um papel bastante similar ao de Ciro Gomes em 2018, quando atraiu muitos votos de eleitores antipáticos tanto ao PT quanto ao bolsonarismo. É um capital político relevante, em torno de 12% a 13%, mas insuficiente para levar a disputa, em que pese tenha chances de ser o mais votado em Goiás. O que o diferenciaria de Ciro seria a postura quanto ao segundo turno: enquanto o cearense hesitou em apoiar Fernando Haddad em 2018, Caiado parece aderir com facilidade a um discurso a favor de Flávio, assim como Romeu Zema (NOVO), que tenta manter sua candidatura apesar dos esforços conjuntos do PL e de parte do NOVO em fazê-lo vice do filho de Jair Bolsonaro.

Caiado, porém, terá de tomar cuidado com Renan Santos (MISSÃO). O empresário e fundador do MBL possui uma porta de entrada junto à geração Z que o goiano não possui. Santos, muito afeito à política nas redes sociais, pode roubar muitos votos de Caiado, em especial de jovens eleitores conservadores não-bolsonaristas. Em algumas pesquisas, o candidato do MISSÃO aparece em terceiro, à frente de Caiado.

O governador de Goiás, portanto, deve encerrar sua carreira política disputando o mesmo cargo de sua primeira eleição, em 1989. Agora, porém, Caiado tenta o Planalto como um político experiente, com capital importante em seu estado, e não mais como um jovem candidato. Praticamente sem chances de ser eleito presidente, terá como maior preocupação não ficar atrás de um político que faz um papel parecido com o seu próprio papel nas eleições de 1989.