Desde 1989, quando a eleição foi disputada por lideranças históricas e forças políticas que emergiam naquele momento, não se via no Brasil uma eleição tão competitiva. À época, a disputa pelo segundo turno polarizou as alianças e forças políticas e fez com que o PT recebesse apoio do PDT, PCB, PMDB e PSDB. Fernando Collor, então do PRN, atual PTC, recebeu apoio dos demais partidos e saiu então vitorioso.

Desde a redemocratização não se viu cenário parecido. Ao que tudo indica, a polarização vivida hoje deve provocar um movimento semelhante ao vivido há quase 30 anos, o mapa político desenhado no último domingo (07) reforçou o favoritismo de forças emergentes e discursos tradicionais. Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), concorrendo agora ao cargo da presidência em segundo turno, buscam apoios para vencer no pleito, cenário que deve ser melhor desenhado nos próximos dias.

Historicamente, todos os candidatos que alcançaram mais votos em primeiro turno, acabaram saindo vencedores em segundo turno, de todo modo, estas eleições demonstraram que a análise de contextos históricos como base única de avaliação pode ser pouco assertiva, sendo necessária a avaliação de outras vertentes de pesquisa como dados de redes sociais, por exemplo, contextos novos e muito utilizados pelos candidatos mais bem sucedidos nestas últimas eleições.

Confira na nossa plataforma as informações de todos os estados do Brasil com dados de número de votos e percentuais correspondentes de todos os candidatos que concorreram às eleições, quem foram os deputados federais, estaduais e senadores eleitos, novos ou reeleitos e quem são os governadores eleitos em primeiro turno, além dos dados de como está a disputa em segundo turno nos 14 estados que terão uma segunda votação.

O que esperar do Congresso Nacional: Câmara dos Deputados e Senado Federal

  

Câmara dos Deputados

Os três maiores partidos do Brasil – PT, MDB e PSDB – perderam posições nesta eleição, com significativa diminuição de cadeiras. Muito embora o Partido dos Trabalhadores ainda tenha a maior bancada na Câmara de Deputados, nesta eleição o partido elegeu 13 deputados a menos que nas eleições de 2014. Também em comparação com 2014, o MDB teve reduzido pela metade seu número de cadeiras. O PSDB, por sua vez, elegeu 29 deputados federais, 24 a menos que na disputa anterior.

Conhecidos como centrão – PP, PR, PRB, DEM e Solidariedade – os partidos conseguiram eleger 137 deputados, sendo que o PP ficou com a terceira maior bancada da Casa, ao eleger 37 deputados. Esse cenário pode manter a posição de força do bloco e possível reeleição do Deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ) à Presidência, muito embora o fato do seu pai, Cesar Maia, ter ficado de fora da disputa ao Senado seja visto como uma grande perda para o bloco.

O partido do candidato à Presidência, Ciro Gomes, do PDT, logrou eleger 25 parlamentares e o Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, conseguiu apenas uma cadeira.

Ao contrário de algumas previsões sobre o fato do fundo partidário ser distribuído em maior expressividade aos próprios maiores e mais tradicionais partidos, estes tiveram significativa queda enquanto houve avanço dos pequenos e médios, que ganharam terreno. Um cenário mais conservador nas decisões governamentais se desenha com o expressivo salto do PSL, partido do candidato Jair Bolsonaro, que elegeu 51 parlamentares. Um crescimento de 50 vezes em relação à última eleição, quando o partido possuía apenas uma cadeira.

O partido do General da reserva Hamilton Mourão, o PRTB, vice na chapa de Bolsonaro, não elegeu nenhum parlamentar. Já o PCdoB, partido de Manuella Dávila, vice de Haddad, elegeu 9 candidatos.

Para essas eleições, houve o pedido de candidatura de 8.588 candidatos a Deputado Federal. Neste contexto, dos 513 membros atuais da Câmara, 407 concorreram à reeleição, sendo que 240 foram reeleitos e 273 são novos parlamentares, o que representa uma renovação de 54%.

Senado Federal

Como previsto em cenário divulgado previamente em nossa série Especial Eleições 2018, as bancadas do Senado tiveram significativa mudança, alcançando até o momento 85% de renovação, considerando as 54 vagas em disputa. Considerando a composição total, o percentual de renovação é de 70%. Os números não estão finalizados devido ao segundo turno em 14 estados, uma vez que, dois integrantes do Senado, Antônio Anastasia (PSDB/MG) e Fátima Bezerra (PT/RN) disputam o comando do Executivo de seus estados, mas de qualquer forma, os dados demonstram a expressividade histórica sem precedentes.

Em 2019, 21 partidos terão representantes, sendo que REDE, MDB e PP foram os partidos que mais elegeram Senadores nesta eleição. O PSL, que nunca tinha eleito um Senador, conseguiu eleger 4 nomes, mesmo número obtido pelo DEM, PSD, PT, PSDB e PSL.

Chama a atenção os nomes de políticos que pela primeira vez não foram eleitos após uma série de reeleições sucessivas. Três em cada 4 Senadores que tentaram renovar o mandato, perderam a reeleição.

As eleições estaduais

Em âmbito estadual sete governadores foram reeleitos, treze Estados definiram a eleição em primeiro turno e em quatorze a decisão ficou para segundo turno. Até o momento, PT e PSB são os partidos que mais elegeram governadores, totalizando 3 cada. PSDB disputa o segundo turno em seis Estados. PSB, PSL e PDT têm três em cada. Já o DEM, MDB, PSC e PSD possuem dois candidatos cada um. O NOVO está concorrendo em segundo turno com um candidato em Minas Gerais.

Nos estados mais Distrito Federal, houve o pedido de candidatura de 18.923 candidatos a Deputado Estadual, para as 1059 cadeiras existentes nas Casas Legislativas. Nesse contexto, 538 nomes foram reeleitos e 521 são novos parlamentares, o que representa uma renovação de 50% na composição das Assembleias e Câmara Legislativa, percentual próximo a renovação observada na Câmara dos Deputados, que chegou a 54%.

Saiba mais

Acesse o material com mais dados das cadeiras por partido em todos os estados e no Congresso Nacional. Para acessar todos os dados de renovação por estado, coligação do executivo e perfis de parlamentares, solicite o seu acesso premium ao App do RG.