Iniciei a minha carreira na área jurídica ainda enquanto estagiária de Direito em Curitiba, atuando no contencioso trabalhista. No período me dedicava a tratar da legislação do Direito do Trabalho e seus impactos junto às empresas clientes do escritório. Desde aquela época buscava entender quais eram os objetivos do “legislador” em determinadas normatizações. Comecei a avaliar que seria interessante propor algumas modificações e aperfeiçoamentos, pois, na prática, muitas normas não levavam em conta a realidade empresarial ou então não acompanhavam a evolução do setor produtivo.

Em seguida, veio uma oportunidade para atuar no jurídico interno da Ambev. Seria impossível dizer que um profissional que passa por uma grande empresa como a Ambev não é impactado pela sua cultura. Diferente da atuação em um escritório de advocacia, aprendi na prática como funciona um grande negócio. Custos, gestão, senso de dono, sonho, pessoas excelentes, trabalho duro e com consistência, sempre com foco em melhorar a cada dia. Tudo aquilo brilhou meus olhos. Mais do que isso, me fez sentir na pele e de uma forma ainda mais intensa os impactos que a legislação posta e principalmente as novas legislações tinham no dia a dia da empresa.

Foi ali na Ambev que tive o primeiro contato com a área de relações governamentais, após uma palestra do time interno sobre como era a interlocução governamental da companhia. A minha admiração pela área cresceu a cada dia e então tomei uma decisão difícil: deixar uma grande empresa em busca de um sonho. Ingressei então em uma consultoria de relações governamentais.

 

No período, iniciei a minha atuação voltada para os impactos das legislações estaduais e municipais, em mais de 100 municípios brasileiros. Em paralelo, desenvolvi projetos junto ao Congresso Nacional. Posso lembrar até hoje da sensação que tive quando pisei pela primeira vez no Congresso Nacional e seus tapetes verde e azul. Havia uma manifestação na Câmara dos Deputados e muitas faixas com escritas pela aprovação ou rejeição de um determinado projeto de lei circulavam freneticamente pelos corredores. Foi uma transformação pra mim participar ativamente do processo democrático de formação de leis e poder levar ativamente a conhecimento das autoridades competentes sugestões para o aperfeiçoamento da legislação.

 

O meu trabalho seguinte foi novamente dentro de uma empresa, desta vez representando o setor de call center em suas demandas de relações governamentais. É um trabalho diferente quando você está atuando como representante de uma única empresa e quando você assessora diversas empresas na sua interlocução com o Poder Público. Foi uma experiência importante na minha carreira e um importante desafio.
Nesta empresa, novamente focada nas atuações das filiais que a empresa tinha em diversos estados e municípios pelo Brasil, viajei para vários cantos do país e, se já era uma apaixonada pela diversidade e oportunidades que temos por aqui, era o que faltava para me fazer ser patriota de carteirinha.

E se você ainda estiver aqui e tiver um tempo para chegar ao final do texto, antecipo que é aqui que a história da minha carreira foi impactada de forma bem relevante pelos acontecimentos políticos e econômicos do país. Em meio ao ápice da recente crise que assolou o Brasil, a empresa que eu trabalhava passou por um processo de redução dos seus quadros e com isto veio a minha demissão e do meu time.

Quando você passa por uma situação assim, com financiamentos para pagar, com milhares de contas e boletos vencendo no fim do mês, morando longe de todos os seus amigos de infância e da sua família, você pensa: não há opção de falhar.

Observei atentamente o mercado de relações governamentais e entendi que poderia ser o momento de colocar o meu maior sonho em prática e continuar a garantir que empresas pudessem efetivamente levar as suas angústias e apresentar oportunidades de aperfeiçoamento da legislação ao decisor público. Além disso, garantindo que isso fosse feito de uma forma sistemática e organizada e em todas as esferas governamentais.
Esta vontade foi adicionada com todas as experiências que tive, no mundo jurídico de escritórios de advocacia tradicionais, no mundo jurídico empresarial, na atuação focada em relações governamentais e no dia a dia das operações e gestão de empresas de grande porte.

Então, na sala do meu apartamento estavam eu, meu computador e um objetivo: fazer meu sonho dar certo, atuando de forma ética.

Então nasceu o Celuppi Advogados, um site, e-mail e logomarca, com o objetivo de atuar na área jurídica apoiando as ações de relações governamentais de empresas de médio e grande porte. Mas não era suficiente ter este escopo, uma vez que a concorrência em um mercado sem barreiras de entrada pode ser crucial para o sucesso de uma empresa. A ideia era focar em algo que eu sabia fazer muito bem, aliando conhecimentos jurídicos com outras áreas do conhecimento que adquiri ao longo da minha carreira. A única opção para fazer dar certo era ser a melhor naquilo que eu me propusesse a fazer e sempre ter humildade para aprender cada dia ainda mais.

 

Observei que a atuação em estados e municípios, muito específica, trabalhosa, pulverizada e com dificuldade de acesso à informação era um mercado praticamente ainda não explorado. Além das dificuldades geográficas e diferenças culturais do Brasil, essa atuação era negligenciada, principalmente por desconhecimento dos grandes impactos que trazem. Não havia um escritório atuando de forma focada e organizada para garantir uma entrega abrangente e de qualidade neste aspecto, a um custo razoável.

 

Neste período uma grande amiga e hoje sócia que já havia trabalhado comigo anteriormente, também impactada pela crise, igualmente buscava uma forma de encontrar um trabalho que brilhasse os seus olhos. Sorte a minha que nossos destinos tenham novamente se cruzado.

A partir deste ponto, munida de muita coragem e determinação, após muitas viagens pelo país e identificando maneiras de crescer de forma consistente é que surgiu o Radar Governamental – uma plataforma criada e desenvolvida internamente para apoiar a nossa prestação de serviços na área. Era o recurso tecnológico necessário para garantir o nosso crescimento, possibilitando assim a atuação em Brasília, todos os estados e mais de 140 municípios.

 

Com os detalhes planejados, veio o primeiro grande cliente que enfim permitiu tirar tudo isso do papel. A primeira sede real, uma sala de 40 m² dividida entre 15 pessoas. Foi um primeiro ano difícil, é claro. Era necessário “apenas”: garantir a entrega dos serviços com qualidade, pagar os investimentos, trazer novos clientes inclusive como forma de viabilizar financeiramente o serviço, estruturar o Radar Governamental como um recurso tecnológico de ponta, consolidar-se no mercado, treinar e reter os melhores talentos e, principalmente, não decepcionar tantas pessoas que já haviam apostado tão grandemente no projeto –  são mais de 200 pessoas envolvidas na operação em todo Brasil.

 

Tivemos muitos acertos, mas parece natural admitir que erramos também. Mas corrigimos rotas e abrimos novos caminhos.

Não demorou para que outros novos clientes fossem surgindo, todos com as mesmas altas expectativas, apostando em um serviço novo, um escritório novo, com um novo perfil de profissionais. Isso tudo nos permitiu ter um crescimento expressivo nos dois primeiros anos, permanecendo consistente, alcançando 70% no terceiro ano das nossas operações. A expectativa é de que o crescimento se mantenha na casa dos dois dígitos, com a premissa essencial de manter a qualidade dos serviços e avançar cada vez mais nos recursos tecnológicos, unindo o que existir de melhor no mercado de tecnologia com a expertise dos nossos advogados especialistas na interlocução com o governo.

 

Posso dizer hoje que sou privilegiada por ter passado por uma crise e ter encarado ela como uma oportunidade, por não ter desistido mesmo que todos os caminhos inicialmente pudessem estar apontando para o lugar errado.  É uma felicidade imensa ser apaixonada pelo que faz e trabalhar todo dia com a mesma energia, fazendo o que é certo nos mais pequenos detalhes. Posso dizer, orgulhosamente, que o Brasil é o meu país, de Norte a Sul.

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